Cerca de 2 mil atendimentos realizados pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Pará (Emater) para comunidades quilombolas têm proporcionado ações de assistência técnica; conservação e preservação ambiental; resgate e valorização da cultura geração de renda por meio do turismo e do artesanato; fomento à produção para subsistência e acesso a políticas públicas.
O Pará tem 62 comunidades quilombolas já tituladas, quatro territórios quilombolas parcialmente titulados e outras 59 terras quilombolas não tituladas, totalizando 125 áreas remanescentes de quilombos, segundo informações do Instituto de Terras do Pará (Iterpa), referentes a 2022.
Setenta e sete ações foram realizadas pelo Escritório Local (Esloc) de Ananindeua, na Comunidade Quilombola do Abacatal, onde vivem 180 famílias em 318 hectares. A empresa já implantou diversos projetos e atividades nas áreas social, ambiental e econômica, como o Quintal Produtivo, que consiste na doação de mudas e sementes para o cultivo.
Quintal Produtivo- A produtora rural Vivia da Conceição Cardoso, 42 anos, da sexta geração da Comunidade do Abacatal, disse que o "Quintal Produtivo" já gerou resultados. "Os extensionistas nos proporcionaram muitas mudas de plantas que nós não tínhamos, e ainda ajudaram a melhorar aquilo que nós já tínhamos. A pupunha, por exemplo, que é daqui do território, a Emater potencializou o nosso Quintal Produtivo, e com as atividades realizadas produzimos mais mudas para distribuir às famílias do Abacatal. É uma forma de ocupação produtiva para o nosso território, onde podemos usar para consumo e comercializar. Assim como a pupunha, a gente teve a mesma experiência com o muruci, o açaí e outras frutas", contou.
No hectare da família de Vivia foi instalada uma Unidade Demonstrativa de Aquaponia, sistema de reuso de água que possibilitou a criação de peixe e o cultivo de hortaliças. O recurso para a UD veio da parceira da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) com a Emater, em um projeto-piloto que consistiu no repasse de verbas para atividades rotineiras na comunidade, beneficiando 15 famílias da Comunidade do Abacatal.
Recadastramento- Neste ano, a Emater está desenvolvendo no Abacatal o Diagnóstico Rural Participativo (DRP), para recadastramento das famílias locais. "Com o recadastramento queremos saber quem está na escola, a produção que cada um tem no seu hectare e o número de crianças, jovens, homens e mulheres.
Os produtores ainda são beneficiados pelas elaborações do Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF), da Declaração do Agricultor Familiar, do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e do Cadastro Ambiental Rural (CAR), além da inclusão no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
Na visita feita nesta semana pela equipe da Esloc de Ananindeua à comunidade foi entregue um relatório de atividades desenvolvidas pela Emater no Abacatal. Os técnicos da empresa foram recebidos por membros da Associação de Moradores e Produtores Quilombolas de Abacatal (AMPQUA).
Resultados positivos- Em Santarém, no Oeste do Pará, a Emater realizou 280 atendimentos para nove comunidades quilombolas que estão em processo de regularização no município. O acompanhamento técnico no território visa proporcionar o acesso a políticas públicas para 700 famílias.
A Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará) já aprovou a agroindústria "Delícias do Quilombo", que vai receber certificação. Será mais um empreendimento para promover geração de emprego e renda no meio rural, principalmente em comunidades quilombolas de Santarém.
“É um momento de muita alegria e gratidão por todo o trabalho realizado. Nós queremos agradecer pelo trabalho da Emater, em especial ao Escritório de Santarém. Seus técnicos sempre estiveram conosco, dando suporte e apoio, e tirando todas dúvidas”, informou o presidente da Associação Quilombola de Murumurutuba, Mário Fernando.
Abertura de mercado- Ele explicou ainda que “com o registro, vamos iniciar o trabalho de produção e comercialização dos nossos produtos. Isso vai melhorar nossa produção e a qualidade de vida das famílias da Comunidade de Murumurutuba. Isso também irá contribuir para que possamos abrir mercado para muitos produtos que antes se estragavam, e agora nós vamos poder utilizar de forma correta, seguindo todas as orientações para a produção”.
Há quase um ano, a Emater oferece à comunidade assessoramento técnico, incluindo acompanhamento do diagnóstico das cadeias produtivas; fortalecimento da organização social; busca de investimentos para agroindústrias e relacionamento da produção com o cooperativismo.
“Estamos muito satisfeitos com essa relação da Emater na construção do projeto com a comunidade. Nós vamos trazer um ganho enorme às comunidades quilombolas e fortalecer, ainda mais, a luta do movimento”, frisou o extensionista rural do Escritório de Santarém, Haroldo Alessandro Siqueira, que também é sociólogo e trabalha com povos tradicionais.
Texto: Sarah Mendes - Ascom/Emater