Os dois oficiais da PM do Pará, acusados de vários crimes, foram denunciados pela 2º Promotoria Militar

Dois casos envolvendo crimes cometidos por oficiais da Polícia Militar do Estado do Pará e denunciados pelo Ministério Público, através da 2º Promotoria Militar (2º PJM) começaram a ser julgados hoje.

O primeiro deles, que está acontecendo neste momento, é o julgamento do processo criminal contra o capitão PM Marcel Wanzeller, acusado de guardar no armário de seu gabinete, seis tabletes de maconha após uma operação que apreendeu a droga, quando ele ainda comandava o destacamento da PM de Óbidos. O capitão também é acusado de descaracterizar uma viatura da PM para uso pessoal da esposa dele, inclusive retirando o giroflex característico dos veículos da corporação.

O segundo caso, começa a ser julgado na próxima segunda-feira (09), e diz respeito ao Major PM Leonardo do Carmo Oliveira, acusado de comandar um grupo de policiais para fazer a segurança “particular” da Fazenda Ipê, no município de Pacajá, inclusive utilizando todo o aparato da PM como fardas, armamentos e viaturas.

Os dois casos foram denunciados pelo MPPA, através do 2º Promotor de Justiça Militar Armando Brasil. Segundo Brasil, as testemunhas de acusação já estão sendo ouvidas e, caso não haja testemunhas de defesa, os réus passarão a ser imediatamente inquiridos.

Na época, além da denúncia criminal contra os dois PM´s, o promotor também solicitou ao governador do estado, Simão Jatene, através da Procuradoria-Geral de Justiça, a abertura de Conselho de Justificação para os dois oficiais. O conselho é um instrumento destinado a julgar, através de processo especial, sobre a incapacidade do oficial da PM, (militar de carreira) de permanecer na ativa, criando-lhe, ao mesmo tempo, condições para se justificar. São submetidos ao Conselho de Justificação oficias que tenham procedido incorretamente no desempenho do cargo, através de condutas ilícitas ou irregulares, ou que tenham praticado ato que afete a honra pessoal, o pudor militar ou o decoro da classe.

Caso Capitão Wanzeller

As investigações contra os atos irregulares do Capitão PM Wanzeller foram apuradas pelo Comando Regional de Policiamento 1, em Santarém, após informações registradas pelo serviço Disque-Denúncia 181, da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Segup), no ano passado (2017). Na época, o Comando de Policiamento Regional 1 abriu procedimento investigatório, por meio da Corregedoria da PM, para apurar a veracidade das informações contra o capitão. Após investigações e diligências realizadas na cidade de Óbidos, a equipe da Corregedoria constatou, em situação flagrante, o uso do veículo pela esposa do oficial, sem os adesivos padrões, sem o giroflex e os recursos de identificação visual do modelo Parati,  ou seja, a viatura foi totalmente descaraterizada para uso particular da esposa do comandante.

De acordo com o Comando, na sequência das investigações, a Corregedoria flagrou nova situação de irregularidade contra o capitão Wanzeler, ao encontrar seis tabletes de maconha no gabinete do capitão, que era então comandante da 29ª CIPM.

Caso Major Leonardo

O Major PM Leonardo do Carmo Oliveira foi denunciado à Justiça pela 2º Promotoria de Justiça Militar do MPPA pelos crimes de organização de grupos para a prática da violência, previsto no artigo 150 do Código Penal Militar, extorsão simples (Art. 243 do CPM) e concussão (Art. 345 do CPM).
A denúncia foi feita com base no inquérito recebido pela Promotoria Militar, que apurou o envolvimento de Leonardo e de outros PMs em “irregularidades na farda”, como assessoramento “de segurança particular”, realizado na fazenda Ipê, sob o comando de Leonardo.
Na época as irregularidades cometidas pelos Pm´s ficaram comprovadas no inquérito instaurado pela PJ Militar, após a invasão da fazenda por supostos sem terras, em fevereiro de 2017.
Em razão da invasão, o administrador da fazenda, Carlos D´ávila, com o aval do proprietário, Jorge Khoury Sobrinho, teria feito um acerto com a advogada Gláucia Oliveira, esposa do acusado. Gláucia negociou que fossem pagos R$ 20 mil para que ela assumisse as questões jurídicas da fazenda, além do pagamento de mais R$ 50 mil para que o esposo dela, o major Leonardo, retirasse os invasores.
No entanto, após serem retirados, os posseiros descobriram que não havia nenhum mandado de reintegração, e fizeram a denúncia na Corregedoria da Polícia Militar. Em seguida, em uma nova ação, o major Leonardo retornou a fazenda e a advogada Gláucia passou a exigir o valor mensal de R$ 40 mil para que a PM continuasse a fazer a segurança da fazenda e evitasse novas invasões. “Ficou clara a conduta criminosa perpetrada pelo major, que se utilizando da sua função de policial militar utilizou equipamentos públicos em benefício próprio, bem como se aproveitou do temor causado pela função que exerce para extorquir e exigir vantagens indevidas de Jorge Coury, dono da fazenda Ipê”, frisou Armando Brasil.

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