30 de julho de 2021

Ex-chefe do PNI defende vacinas e campanhas de controle da pandemia

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A Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia (CPI) do Senado ouve, nesta quinta-feira (8), Francieli Fantinato, ex-coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde. Servidora de carreira, ela é enfermeira e tecnologista da pasta desde 2015. Amparada por decisão do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), a depoente se negou a prestar compromisso de dizer a verdade aos parlamentares.

Em sua declaração inicial, ela ressaltou seu currículo acadêmico, com especialização em eventos adversos pós-vacina. Segundo Francieli Fantinato, o programa brasileiro de vacinação, o maior do mundo, teve dificuldade porque faltaram doses suficientes de imunizantes para a execução rápida de uma campanha. “Trabalhei incansavelmente 24 horas por dia, sete dias por semana, para vacinar a população brasileira. Para um programa de vacinação ter sucesso é simples: é necessário ter vacinação e é necessário ter campanha publicitária efetiva. Infelizmente, eu não tive nenhum dos dois”, ressaltou.

Saída da coordenação do PNI


depoimento à CPI, em 9 de junho. Na ocasião, Franco, que atuou na gestão do então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse que sempre foi orientado para que adquirisse o maior número de doses de vacinas, no menor tempo possível, desde que o imunizante fosse aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Gestantes

Franciele Fantinato foi convocada após ser citada pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, na CPI. Segundo ele, a então coordenadora editou nota técnica destinada aos estados, recomendando que gestantes que tinham recebido a primeira dose da AstraZeneca tomassem a segunda dose de qualquer outra vacina, sem nenhuma comprovação de segurança ou eficiência. Em sua defesa, ela levou à CPI bulas de várias vacinas contra a covid-19 e ressaltou que nenhuma delas aponta “contraindicação para gestantes”, mas “precauções”.

“Por causa do grave cenário epidemiológico, em que grávidas estavam morrendo, orientamos a vacinação das grávidas, com toda a responsabilidade necessária a este grupo”, explicou. Ela acrescentou que uma análise do risco versus benefício foi feita em reunião com a Câmara Técnica de Assessoramento.

Ainda segundo Francieli, logo depois da decisão, uma gestante do Rio de Janeiro que tinha recebido uma dose da vacina da AstraZeneca morreu. Por causa disso, os técnicos do governo reavaliaram a situação e decidiram pela intercambialidade de vacinas. Dessa forma, a segunda dose poderia ser de uma marca diferente da primeira. Segundo ela, hoje já se comprovou na prática que o conceito de intercambialidade traz mais benefícios do que deixar a pessoa sem cobertura vacinal. A informação foi contestada pelo senador Otto Alencar (PSD-BA), que disse que não há nenhum estudo no mundo com testes especificamente em gestantes e puérperas.

Nota técnica

Durante o depoimento, a ex-coordenadora do PNI leu uma nota técnica de 17 de fevereiro do Ministério da Saúde. À época, o documento alertava que a Covaxin ainda não tinha dados sobre sua eficácia publicados, nem liberação da Anvisa. Por isso, o PNI solicitou na ocasião que fossem pedidos à Bharat Biotech, produtora da vacina, os dados sobre eficácia e segurança, além de estratégias da empresa indiana para atualizar a vacina, a partir do surgimento de novas variantes.

A nota chamou a atenção do relator. “As vacinas da Pfizer, a CoronaVac e as recomendadas pela OMS [Organização Mundial da Saúde] tinham os mais rigorosos controles e compliance. Mas o governo priorizava na ocasião a única vacina que tinha um atravessador, a empresa Precisa. Se tivesse dado a mesma prioridade às demais vacinas, quando oferecidas, mais de 300 mil vidas teriam sido salvas” observou.

Testemunha

Em função do esclarecimento de fatos considerados relevantes para a comissão, o relator Renan Calheiros disse que retiraria o nome da ex-coordenadora do PNI da condição de investigada pela CPI e passaria a tratá-la como testemunha. A decisão provocou a reação de senadores da base do governo. “A partir do momento que a testemunha chega aqui e passa a falar em uma linha que a oposição acha que vai ao encontro do que eles querem, eles modificam”, criticou Marcos Rogério (DEM-RO). Por causa da polêmica, a decisão foi submetida ao plenário da CPI, que aprovou o encaminhamento. A maioria dos senadores também decidiu suspender os efeitos da quebra de sigilos telefônico e telemático.
 

Matéria alterada às 16h41 para correção no 12º parágrafo. Diferentemente do informado, a gestante morreu após receber uma dose da vacina AstraZeneca.

Fonte: Agência Brasil

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