17 de maio de 2021

Pará é o estado que mais mata em conflitos agrários mesmo 25 anos depois do massacre de Eldorado dos Carajás

Neste sábado, 17 de abril, é marcado por um dos maiores conflitos de terra do Brasil. Há 25 anos ocorria o Massacre de Eldorado dos Carajás. Na ocasião, 19 trabalhadores rurais, que protestavam na PA-150, no trecho conhecido como curva do “S”, foram mortos por policiais militares. Apesar de mais de duas décadas depois do atentado, o Pará é o estado que mais mata pessoas no campo.

De acordo com um levantamento realizado pela Comissão Pastoral da Terra, entre os anos de 2010 e 2020 no Pará, 133 pessoas foram assassinadas.

Várias varas agrárias foram criadas a partir do Massacre, para ajudar a diminuir os conflitos em áreas rurais. Apesar disso, os números ainda são alarmantes.
Quem ainda sofre com as consequências de um conflito agrário é camponês Batista, morador da zona rural de Parauapebas. Ele é um sobrevivente do Massacre de Eldorado e conta os momentos de terror que viveu durante o atentado.

“Eu sou filho de um casal de camponeses, nordestino, que vieram pra essa região em busca de melhores condições de vida. Na hora dos tiros não consegui andar muito. Tinha colega baleado, chorando desesperado. Consegui encontrar minha mãe com 3 irmãos, às 22h, meu pai às 0h, e a minha irmã de cinco anos no outro dia, de manhã”, relata.

De acordo com o Ministério Público, os policiais autores do massacre retiraram os corpos do local e destruíram provas para dificultar as investigações. Os dois comandantes da operação foram julgados e punidos. A sentença do Coronel Pantoja, foi de 208 anos de prisão. Ele morreu em 2020. O Major Oliveira cumpre pena em regime domiciliar, mas foi condenado a 158 anos de prisão.

O Massacre

Dezenove sem-terra foram mortos pela Polícia Militar do Estado do Pará. O acampamento próximo à fazenda Macaxeira surgiu em setembro de 1995. No dia 5 de novembro daquele ano, a fazenda foi ocupada . Em 10 de abril de 1996, cerca de 2.500 sem-terra que estavam acampados na região, junto de outros manifestantes do MST, totalizando 4.221 pessoas , começaram uma marcha de quase 900km até a capital Belém em protesto contra a demora da desapropriação de terras, principalmente dos 40 mil hectares da Fazenda Macaxeira, que consideravam ociosos. A Polícia Militar foi encarregada de tirá-los do local, porque estariam obstruindo a rodovia BR-155, que liga a capital do estado Belém ao sul do estado. Com informações, G1

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