20 de junho de 2021

Pará celebra dois anos consecutivos como maior produtor do fruto no Dia do Cacau

Terra do açaí e do tacacá, o Pará também passou a ser conhecido como terra do cacau. Por dois anos seguidos, o Estado aparece como o maior produtor do fruto no Brasil, deixando a Bahia – que sempre foi referência na produção cacaueira – em segundo lugar. No Dia do Cacau, comemorado nesta sexta-feira (26), o Pará tem muito a festejar.

Os dados levantados pelo Núcleo de Planejamento/Estatísticas (Nuplan), da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), com base no estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), mostram que a produção do cacau no ano passado foi de 144.663 mil toneladas, com uma produtividade média de 964 quilos por hectare, o que corresponde a 51,54% da produção nacional, um rendimento superior ao segundo lugar – o estado da Bahia – que foi de 42,05%.



Já são dois anos consecutivos que o Pará desponta como maior produtor do fruto. Em 2019, o Estado já havia batido um recorde na produção nacional: 130 mil toneladas, 25 mil a mais que a produção baiana.
Aproximadamente 30 mil produtores que recebem incentivo do governo do Estado através da Sedap. Entre os programas e projetos trabalhados está o Procacau, coordenado pela Secretaria e fomentada pelo Funcacau, que é o Fundo de Apoio à Cacauicultura Paraense.





Os municípios de Medicilândia, Uruará, Altamira, Placas, Novo Repartimento, Brasil Novo, Anapu, Tucumã, Vitória do Xingu e Rurópolis se destacam na produção cacaueira paraense.

Coordenador da cadeia do cacau pela Sedap, o engenheiro agrônomo Ivaldo Santana, ressalta que o apoio do Governo e a parceria com os produtores, com a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), entidades como o Sebrae, o Senar/Faepa, têm sido de grande relevância para os resultados positivos. A perspectiva é que este ano a produção possa alcançar até 147 mil toneladas. Além da Sedap, a Adepará, Emater e Sedeme também têm um importante papel para o crescimento e qualidade do cacau paraense.
Um importante passo para a melhoria do cacau paraense, como citou Santana, é a implantação do Laboratório de Análise Sensorial do produto. Funcionando no Centro de Valorização Agroalimentar de Composto Bioativos da Amazônia, no Parque de Ciência e Tecnologia do Guamá, o espaço fornece o suporte aos produtores que querem valorizar o seu produtor e garante a certificação de características como o cheiro, odor, cor e textura da sua amêndoa.

Entre os outros projetos, conforme listou o engenheiro agrônomo, desenvolvidos através do Procacau estão: o apoio à manutenção do campo de germoplasma da Ceplac; realização e participação de eventos nacionais e internacionais com a participação de produtores de cacau e chocolates; assistência técnica aos cacauicultores através da Emater e do Senar; criação de seis escolas indústrias de chocolate, sendo cinco fixas e uma móvel e execução do projeto de Indicação Geográfica em sete municípios da Região da Transamazônica.

Adepará – “Oriundo em sua maior parte da agricultura familiar, sua cadeia proporciona geração de emprego, renda e circulação monetária local. Aliado a isso, o governo do estado, junto com o setor produtivo, tem incentivado a verticalização da produção, com a instalação de escolas de produção de chocolate para os produtores; espera-se o avanço cada vez maior deste segmento, estando a Adepará, auxiliando essa produção, realizando inspeções periódicas nas propriedades rurais, a fim de resguardar nossa produção do ponto de vista sanitário”, informa o diretor geral da Adepará, Jamir Macedo.

Por causa da importância do fruto na economia paraense, a Adepará mantém um programa constante na Gerência de Pragas Quarentenária, cuja meta é estabelecer os procedimentos operacionais para aplicação de medidas preventivas e emergenciais, por meio do monitoramento de pragas do cacau, trabalho que contribui para o desenvolvimento sustentável e competitivo do agronegócio no Pará.

“O Programa do Cacau realiza um trabalho educativo e preventivo junto aos cacauicultores, com o objetivo de proteger a produção da moniliase. A Adepará, inclusive, é a única agência de defesa do Brasil que esteve no Peru, promovendo a capacitação de seus técnicos para identificação precoce e combate a esta praga”, detalha o engenheiro agrônomo, Euclides Holanda, responsável pelo Programa do Cacau da Adepará.

Criado em 2012, a partir da Instrução Normativa Nº 13, de 17 de maio de 2012, que estabeleceu o Plano de Contingência de Monilíase (Moniliophthora roreri) do Cacaueiro, o programa tem entre os objetivos realizar anualmente o levantamento de detecção para a praga quarentenária Moniliophitora roreri, vulgarmente conhecida como moniliase do cacaueiro, que faz-se presente em países sul-americanos limítrofes do Brasil (Peru, Bolívia, Colômbia e Venezuela).

O engenheiro explica que o trabalho da defesa vegetal envolve um conjunto de ações fitossanitárias, que envolvem a prevenção e controle da praga que ainda não chegou ao Brasil por meio do levantamento das áreas com cacau e cupuaçu, sejam elas produtivas ou não.

“Fazemos a inspeção das propriedades com o objetivo de assegurar a ausência da praga e de agirmos de forma mais rápida e eficiente possível, quando ela chegar. Hoje trabalhamos para evitar que esta praga chegue no Pará, mas se ela chegar, quando chegar, estaremos prontos para agir”, assegura Euclides.

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