23 de junho de 2021

Mudas cultivadas por presidiários de Paragominas são plantadas ao longo da PA-125

Três mil mudas cultivadas por custodiados do Centro de Recuperação Regional de Paragominas (CRRPA), no sudeste paraense, foram plantadas por moradores do município neste domingo (13), com a participação de diretores e policiais penais da unidade. A iniciativa, que vai mudar o cenário em 5 quilômetros da Rodovia PA-125, em Paragominas, faz parte do Projeto Rota Florada, desenvolvido pela Prefeitura do município, por meio da Secretaria de Urbanismo, em parceria com a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) e Defensoria Pública.
O resultado será visto nos próximos anos em um corredor de árvores floríferas, que parte da entrada da Rodovia dos Pioneiros até o aeroporto municipal.
O projeto prevê o cultivo de 10 mil mudas de árvores no Centro de Recuperação. Desse total, seis mil já foram transferidas para o Parque Ambiental de Paragominas, onde metade continua sendo cultivada no viveiro, e a outra foi plantada neste domingo. Entre as espécies escolhidas estão ipês de cores variadas, jacarandá e flamboyant.
No regime aberto há três anos, o custodiado Domingos Souza trabalha com carteira assinada em uma empresa do município. Exemplo de ressocialização, ele mostrou a importância da ajuda mútua. “Hoje ensinei pessoas a plantar. Como tirar o plástico da muda e explicar sobre o plantio. Eu tive a oportunidade de mudar de vida, e agora ajudo as pessoas a terem uma vida melhor. Plantar árvores é isso”, afirmou.
Além do trabalho de ressocialização na unidade penitenciária, o projeto também é importante porque parte da coleta de sementes entregues à casa penal foi realizada por crianças e adolescentes da sede municipal, há cerca de um ano e meio. O processo de coleta, germinação, manuseio e cultivo foi todo acompanhado pela equipe técnica de Agronomia da Seap e da Prefeitura de Paragominas.

Responsabilidade socioambiental

O defensor público Diogo Eluan, um dos idealizadores do “Rota Florada”, definiu a iniciativa na rodovia como “um dia de engrandecimento social e responsabilidade socioambiental. Temos que acreditar na ressocialização, na oportunidade de que este trabalho possa se espalhar para todas as outras casas penais do Estado. O projeto se resume em esperança. Esperança em uma sociedade mais ecológica, equalitária e equilibrada. A beleza do projeto está nas várias mãos que fizeram ele”.

O plantio foi acompanhado e realizado pela comunidade, incluindo servidores dos órgãos envolvidos, crianças e adolescentes, diretores e policiais penais. Sobre a participação no projeto, Geraldo Gomes, diretor interventor do CRPPA, disse que “é gratificante ver o trabalho prisional refletindo na sociedade. Estamos contribuindo para uma cidade melhor para as futuras gerações e ajudando a reconstruir vidas”.

Para Belchior Machado, diretor de Reinserção Social da Seap, com as boas práticas do trabalho prisional, é incentivada a conscientização e reflexão na sociedade, tanto sobre a reinserção social de pessoas privadas de liberdade quanto a preservação e conservação do meio ambiente. “Simbolicamente, esse dia de plantio representa a essência da reintegração social, que é garantir uma nova vida e um futuro de paz”, acrescentou.

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