25 de junho de 2021

Médica amazonense do Sistema Hapvida relembra trajetória de lutas e vitórias

Muitos deles passam por vários percalços e desafios para chegar ao seu objetivo final. Dentre as tantas histórias, encontramos a da médica clínica generalista do sistema Hapvida, Elianete Ramos de Lemos, que falou sobre a trajetória de luta e persistência no interior do Amazonas.

Os hospitais sempre foram considerados ambientes muito corridos e de pouca conversa. Neles, sempre há uma grande agilidade de pessoas para fazer o trabalho correto de pronto atendimento, e devido essa rapidez, pouco se sabe sobre os profissionais que muitas vezes se dedicam tanto a profissão. Elianete, que possui especialização em Neonatologia e Educação continuada em Enfermagem, mostra que existem histórias de lutas, que transcendem não somente pela cor da pele, mas pelo esforço e dedicação para realizar um sonho.


“Eu passei no vestibular de medicina aos 38 anos de idade e já era formada em enfermagem há 12 anos. Nem pensava estudar medicina. Estava trabalhando no interior do Amazonas, em Alvarães e lá o diretor do hospital que era meu amigo me incentivou a fazer o vestibular, porque nas horas vagas, depois do trabalho a gente conversava muito, estávamos administrando o hospital de lá que tinha sido inaugurado, eu era a chefe da enfermagem. O Abreu (bioquímico) era o diretor clínico e minha irmã (enfermeira também) era a gerente administrativa, estávamos treinando os funcionários para trabalhar no hospital. Então a UEA fez o vestibular e nós fizemos nossa inscrição, não passei logo, eram cinco vagas para Tefé, eu fiquei em 6º lugar, dependendo da repescagem. Aí passou um tempo, fiquei grávida e tive a minha bebê, quando soube pelas amigas da minha mãe que eu tinha que ir urgente me matricular (o prazo era de uma semana). Aí comecei a estudar três meses depois, de licença maternidade. Tinha uma bebê pequena, um filho adolescente enciumado da irmã – passei 12 anos sem ter filho e uma faculdade pra fazer. As aulas eram diurnas e a bebê fazia alimentação exclusiva do leite materno. Ela não aceitava outra alimentação. Foi horrível os primeiros anos da faculdade, mas consegui fazer. Depois da licença maternidade, tive que voltar a trabalhar também, estudava de dia, trabalhava a noite e ainda tinha que amamentar”, destaca Elianete.

Com o passar do tempo, Elianete precisou se adaptar a nova rotina de estudos, conciliando sempre com o de mãe de recém-nascida, enfermeira e acadêmica de medicina, mas sempre não pensando em desistir. “Por causa da família, trabalho, levei um tempinho para formar, mas consegui, porque a gente tinha que estudar muito e com filho pequeno, quase fico louca, quase desistia, mas meu esposo me ajudou muito a enfrentar esse processo. Quando formei, fui logo sendo contratada, adiantei até a formatura por uns dias para ser contratada. Como iniciante, morrendo de medo de atender o meu primeiro paciente, meu CRM em jogo, eu sozinha e Deus”, diz Elianete.

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