21 de junho de 2021

Paraense com 120 anos leva uma vida lúcida e tranquila no Marajó

Com 120 anos comemorados na última terça-feira, 18 de agosto, Teodora Maria de Alcântara sobreviveu à sua segunda pandemia em mais de um século e segue sua vida isolada em uma humilde casa, na comunidade marajoara Japum, no município de Cachoeira do Arari, Ilha do Marajó. De lá, ela só sai uma vez no mês para receber a aposentadoria rural.



Sua carteira de identidade indica que nasceu no dia 18 de agosto de 1900, conforme certidão de nascimento lavrada em um cartório na vila de Pinheiro hoje distrito de Icoaraci, provando sua idade. A idosa sobreviveu a fatos marcantes da história, como as duas pandemias dos últimos 100 anos, a gripe espanhola e o coronavírus. Dona Teodora acompanhou pelo rádio, seu amigo inseparável, a Primeira e Segunda Guerra Mundial, a queda do muro de Berlim, viagem do homem a Lua, invenção da televisão, surgimento do celular e internet, crises mundiais e ditadura militar.

Uma Mulher de poucas palavras com estranhos, mas que muda quando está entre os filhos, netos, bisnetos e tetranetos. Ela vê dia após dia do parapeito de sua residência, o tempo passar com lucidez e vitalidade. E, para surpresa de muitos, ela sobe sozinha uma escada de madeira e cuida da criação de galinhas. Seus filhos ainda vivos têm idades variadas entre 55 e 89 anos. A rotina da mulher começa bem cedinho, típica da vida marajoara. Primeira missão do dia é fazer aquele café preto e em seguida cuidar dos animais no terreno.

Sobra tempo para um banho de cuia no banheiro nos fundos do sítio onde mora. Com uma visão privilegiada, ela costuma ficar sentada horas e horas no pátio da casa, ventilada pela brisa da mata no entorno.

A saúde dela vem sendo acompanhada por técnicos de enfermagem do Posto de Saúde do Bacuri, uma comunidade próximo do Japum. “Ela dorme cedo e acorda mais cedo ainda e tem o hábito de fumar cachimbo antes de dormir”, revela um dos filhos. Para falar de amor, dona Teodora é muita reservada, diz apenas que concebeu onze filhos e teve “alguns” relacionamentos, sendo que o último companheiro morreu há 40 anos. Além disso, são 31 netos, 35 bisnetos e 11 tataranetos.

Ela diz que onde mora é um local pacato, mas experimentou a sensação de insegurança há três anos, quando sofreu um assalto durante a noite. Dois homens bateram na porta e, como de costume, ela acordou pensando ser alguém da comunidade. Teodora dormia em uma rede no outro compartimento da casa, quando ouviu os homens dizendo que “era um assalto” e que o filho desse todo o dinheiro que eles tinham na casa. Armada com um terçado rabo-de-galo ela investiu contra os assaltantes, que trataram de fugir, deixando para trás a ideia de tomar o pouco dinheiro quer tinha em casa.

Atingir 120 anos é uma missão para poucos no Brasil, mesmo tendo se tornado um país com uma expectativa de vida de 76,3 anos, conforme levantamento do IBGE. Em 2018, apenas 1,4% na população tinha mais de cem anos. Questionada sobre o segredo de viver até esta idade, a vovó revela que vive cada dia intensamente. “Meu filho, eu acordo de madrugada, faço meu café e vou cuidar das minhas criações”, afirma.

Muita gente tem lutado para incluir a marajoara no Livro dos Recordes, o Guinness, que hoje reconhece apenas a japonesa Kane Tanaka, com seus 117 anos como a mulher viva mais velha do mundo. Sem saber ler ou escrever, Teodora Maria de Alcântara já deixou seu nome gravado na história, independente se o livro dos recordes reconhecer sua longevidade.

Fonte: Dol

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