24 de junho de 2021

A pandemia da corrupção no governo Helder Barbalho

Por: Ronaldo Brasiliense/Segunda parte

No dia oito de maio passado, em pleno pico da Pandemia Covid 19 no Pará, o governo Helder Barbalho (MDB) publicou no Diário Oficial do Estado (DOE), um contrato de aluguel de ambulâncias que surpreendeu a todos pelos valores absurdos.

De uma só canetada, bem a seu feitio, Helder Barbalho alugou oito ambulâncias para transportar pacientes infectados pelo novo coronavírus por R$ 7,8 milhões, por um período de quatro meses.

O custo unitário mensal de cada ambulância saiu por R$ 245.000,00 (Duzentos e quarenta e cinco mil reais).

Na mesma semana, o prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho alugou ambulância pagando apenas R$ 6.200,00 por mês. Trocando em miúdos: com os R$ 245 mil pagos por Helder Barbalho por uma ambulância, Zenaldo Coutinho poderia alugar uma frota com 40 ambulâncias.

O suspeito contrato de aluguel de ambulâncias acabou ganhando repercussão nacional no programa Sikera Jr.

Tudo leva a crer que, desta vez, a dispensa de licitação por causa da decretação de Estado de Calamidade Pública no Pará tratou-se de uma ação entre amigos.

O portal Roma News denunciou que a empresa vencedora do contrato 44/2020, que prevê o pagamento de R$ 7,8 milhões pela locação de oito ambulâncias para ações de enfrentamento à covid-19 no Pará, pertence a amigos do governador Helder Barbalho.

Lucas Vaz Veras, diretor-geral do Centro de Atendimento de Serviços Médicos Rios Vaz – Medclin, uma empresa de pequeno porte cujo capital social é de apenas R$ 100 mil, não só apoiou a campanha de Helder ao governo do Estado, em 2018, como esteve em sua posse, como se vê nas imagens postadas pelo próprio Veras em suas redes sociais.

De acordo com os termos do contrato publicado na edição do dia 8 de maio e republicado quatro dias depois no Diário Oficial do Estado, a Medclin, cuja única sócia atende pelo nome de Claudia Rio Vaz e é tia de Veras, vai receber R$ 7.840.000,00 para prestar os serviços de transporte de pacientes de covid-19 nos município de Belém, Breves, Marabá e Santarém, onde foram implantados os hospitais de campanha por Helder Barbalho.

A Medclin só ganhou o contrato, sem licitação, depois que uma segunda empresa – que havia proposto menos da metade desse valor, mudou sua proposta subindo o custo total do serviço de R$ 3,6 milhões para R$ 9,3 milhões.

A proposta inicial da Medclin era de R$ 12,9 milhões, chegando aos pouco mais de R$ 7,4 milhões que vai receber após uma segunda chamada para apresentação de propostas.

O contrato, feito com base no decreto de emergência por causa da pandemia, foi feito com dispensa de licitação.

Não vou estranhar se a Polícia Federal baixar em Belém mais uma vez, nas próximas semanas, para passar a limpo mais esta suposta ação entre amigos.

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