22 de junho de 2021

Mineradora Vale transfere para BH funcionários de Parauapebas muito afetada pela Covid-19


Avanço desenfreado do novo coronavírus sobrecarregou sistema de saúde do Pará. Em BH, situação atual de ocupação dos leitos é considerada favorável

Belo Horizonte tem recebido funcionários da Vale que trabalham em Parauapebas, No estado do Pará, sendo o sexto com mais casos confirmados de coronavírus. Nos últimos sete dias, um avião da mineradora fez o trajeto entre o Aeroporto de Carajás e Belo Horizonte pelo menos quatro vezes.



Por meio de nota (leia na íntegra ao fim da reportagem), a Vale pontuou que “alguns empregados que trabalham no Pará aderiram ao projeto de transferência temporária para as suas bases de origem, incluindo Belo Horizonte”. Segundo a empresa, “a medida permite aos empregados estarem mais próximos de seus familiares no período de isolamento”.

O voo mais recente chegou ao Aeroporto da Pampulha pouco antes das 19h de sexta-feira(08). Não foi possível confirmar, porém, se é este o avião que tem levado funcionários da mineradora até Belo Horizonte.

Ponto de saída dos voos, o Aeroporto de Carajás fica em Parauapebas, no Sudeste paraense. Até esta sexta-feira, a cidade de 208,2 mil habitantes já havia registrado 29 mortes por coronavírus.(Veja aqui) O número é superior aos 25 óbitos de Belo Horizonte, que tem população 12 vezes maior.

Parauapebas está nas proximidades de uma das maiores áreas de mineração do mundo, onde a Vale explora ferro e manganês. Enquanto parte dos funcionários está em home office e é transferida da cidade, outra parcela continua o trabalho nas minas.

A Capital do Minério, registrou pelo menos dois óbitos de funcionários da Vale no último mês. Em 10 de abril, um homem de 42 anos, que trabalhava na Usina de Beneficiamento Serra Norte, no Complexo de Carajás, morreu na cidade após ter contraído o coronavírus. Veja Aqui

No dia 19 do mesmo mês, morreu Antônio Pereira de Souza, 45, com suspeita de COVID-19. O homem era mecânico e trabalhava na Mina de Manganês da Vale, em Parauapebas.Veja aqui


Transferência de passageiros


Nesta sexta, a mineradora publicou nota em que diz ter intensificado ações de prevenção ao coronavírus no Pará. Questionada pelo Portal sobre o critério de escolha de funcionários que seriam transferidos, a mineradora não respondeu.

Ainda de acordo com a Vale, os funcionários transferidos para Belo Horizonte “passam por um período de quarentena preventivo antes de continuarem em trabalho remoto”. A mineradora não informou o número de pessoas que enviou à capital mineira.

O avião que tem feito seguidas viagens entre Pará e Minas Gerais é do modelo Embraer E190, que originalmente tem capacidade para 80 passageiros. Porém, por ser uma aeronave particular, a quantidade de assentos pode ser alterada pelo proprietário.

Alguns moradores de BH usaram as redes sociais para demonstrar o receio de que, entre os que chegam à capital mineira, estejam pessoas infectadas com o novo coronavírus. se “funcionários que estão com o vírus também estão sendo transferidos para serem tratados em Belo Horizonte”, a Vale não respondeu objetivamente, mas alegou que “cumpre todos os protocolos exigidos pelo Ministério da Saúde”.

Em nota, a mineradora diz que, desde março, “adotou o home office para empregados, incluindo os dos grupos de risco”. De acordo com o texto, a companhia “reduziu drasticamente o efetivo nas operações, implantou triagem nas portarias com uso de câmeras termográficas e aplicação de checklist diário de saúde, instituiu a obrigatoriedade do uso de máscaras e reforçou a limpeza e desinfecção das áreas, além da adoção de regras de distanciamento social nos ambientes e transportes”.


Colapso no Pará


Até esta sexta-feira, o Pará havia registrado 6.141 casos de COVID-19 e 515 mortes em decorrência da doença. No estado, o sistema de saúde já entrou em colapso, segundo avaliação feita pelo presidente da Confederação Nacional de Saúde, Breno Monteiro, ao jornal O Globo. O aumento no número de óbitos também ligou alerta das funerárias.

Diante do avanço desenfreado do vírus, o governador Helder Barbalho (MDB) decretou lockdown (bloqueio total) na capital Belém e outras nove cidades: Ananindeua, Marituba, Benevides, Santa Bárbara do Pará, Santa Izabel do Pará, Castanhal, Santo Antônio do Tauá, Vigia de Nazaré e Breves.

Nesta sexta-feira, nota conjunta do Ministério Público do Pará (MP/PA), do Ministério Público Federal (MPF) e do Ministério Público Federal (MPF) recomenda que o governo estadual estenda o lockdown também para Parauapebas e Marabá.veja aqui

*San Diego/ Como informações do Estado de Minas/foto: San Diego

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