25 de junho de 2021

Localizada a filha de “Seu” Júlio, mas ele ainda sonha reencontrar os parentes que moram no Maranhão

Por Lima Rodrigues

A publicação da triste história do maranhense Júlio Saturnino da Silva, 60, no meu Facebook, em Parauapebas (PA), teve uma grande repercussão e deu bons frutos. Dezenas de pessoas compartilharam a publicação, incluindo gente que tem páginas dos mais diversos assuntos. Uma dessas pessoas foi o Genilson Pereira, mais conhecido por “Japa”, da página “Parauapebas Muito Treta”. Uma senhora viu a matéria e reconheceu o “Seu” Júlio, entrou em contato com o sobrinho dele (por parte de mãe), Ezequiel Sousa, o “Izaac”, que mora em Breu Branco (PA), e este, por sua vez, ligou para mim e passou o contato da irmã dele, Viviane Sousa, que mora no bairro Cidade Jardim, em Parauapebas. Liguei para ela e fomos até a casa de “Seu” Júlio.


Enquanto isso, ele estava no posto de Saúde do bairro Novo Brasil fazendo uma consulta. Aí entra uma nova personagem na história, que na realidade é a mais antiga de todos os envolvidos: dona Telma Heringer, moradora do Bairro Primavera, que já vem dando apoio para o “Seu” Júlio há muito tempo. Em 2015, o “Seu” Júlio viu o pai da senhora Telma, José Ary Alves Pereira, na Avenida Faruk Salmen, fazendo compras para levar para sua roça lá na Vila 400, às margens do Rio Parauapebas, e pediu para trabalhar em sua propriedade. Seu Ary então o levou para a roça e ele ficou por lá um ano. Mas Telma só ficou sabendo que “Seu” Júlio tinha uma filha, porque quando ele adoeceu e chegou a ficar hospitalizado por 15 dias, pediu para ela ligar para sua filha, Lilian, em Breu Branco (PA). Quando teve alta, cumpriu a promessa e foi até Breu Branco ver a filha. Quando voltou pouco tempo depois para Parauapebas, foi morar em uma quitinete no bairro Novo Horizonte e depois em um quartinho na invasão do bairro Nova Carajás. Lá, “Seu” Júlio foi cadastrado pela prefeitura e passou a morar em uma quitinete no bairro Cidade Jardim, graças ao “Aluguel Social” da prefeitura municipal. Tanto no Novo Horizonte, quanto na invasão, para sobreviver, ele trabalhou como vendedor de picolé pelas ruas da cidade. A quitinete pertencia a um condomínio da senhora Núbia Medeiros Rodrigues.


Em setembro de 2019, Telma viu uma postagem da dona Núbia perguntando se alguém conhecia a família de “Seu” Júlio. Ela ligou para a senhora Núbia, foi lá, conversou com ele passou a ajudá-lo, inclusive levando-o para o hospital. Dona Núbia também contribuiu bastante nessa história. Chegava a comprar remédio e comida para “Seu” Júlio e até pagou o frete para levar as coisas dele para a casa que ele ganhou da Prefeitura Municipal. A partir daquele mês, Telma foi uma verdadeira guardiã dele e sempre o levava para consultas.


Nesta sexta-feira-feira, em conversa com o repórter, ele admitiu que ficou emocionado e por questões pessoais do passado não revelou na entrevista que tinha uma filha. Pai e filha conversaram algumas vezes por telefone e ele chegou, inclusive, a enviar dinheiro para ela em Breu Branco, e visitá-la há quatro anos e depois sumiu.


Agora, tudo resolvido, fui lá na casa de “Seu” Júlio com a sobrinha dele, a Viviane, e com uma amiga da família, a Ana Paula, que atua na ONG Médicos da Alegria, fazendo ação social em Parauapebas. De lá, Viviane ligou para Lilian e pai e filha conversaram e o diálogo foi bastante emocionante. A filha prometeu buscar o pai nos próximos dias. Mas a senhora Telma orientou que é melhor ele ficar em Parauapebas para poder dar sequência ao tratamento que está fazendo na rede de saúde municipal, podendo, a qualquer momento, ter que ser levado para Belém para novas consultas por intermédio do programa Tratamento Fora do Domicílio (TFD). Faltava uma companhia para fazer a viagem. Agora, ele tem a filha e a sobrinha. Uma das duas vai acompanhá-lo até a capital paraense.

Apoio da Secretaria de Saúde

Além do imprescindível apoio social de dona Telma, da vizinha dele, Larissa Lima, e da mãe dela, Cecília, que passaram a ajudá-lo com a limpeza da casa e o preparo de almoço, janta e lanche para ele (“Seu” Júlio morava no bairro Cidade Jardim e mudou-se para o Nova Carajás dia 20 de maio, ou seja, há menos de uma semana), Júlio Saturnino da Silva passou a contar, também, com o atendimento especial da Secretaria de Saúde de Parauapebas, por intermédio do CRAS do bairro Nova Carajás e da Unidade Básica de Saúde do bairro Novo Brasil, onde foi consultado nesta sexta-feira (29). Desde que ele mudou-se para a nova casa, após um telefonema de um vizinho, o pessoal do CRAS tem feito tudo pelo “Seu” Júlio. Já foi providenciado consulta para ele, além de gel, máscara, remédios, carro para buscá-lo e levá-lo ao posto de Saúde e ainda estão tomando as providências burocráticas para conseguir junto ao INSS um auxílio doença para ele. Por enquanto, “Seu” Júlio conseguiu só o auxílio emergencial do governo federal no valor de R$ 600,00 e já recebeu a primeira parcela.
A saúde o preocupa, claro, e ele quer ficar bom e vencer esse terrível câncer (nos órgãos genitais), descoberto em dezembro do ano passado, mas o grande sonho dele é reencontrar os irmãos e tios que moram no Maranhão, cujo contato ele perdeu há 48 anos. Para isso, já publiquei matéria nas minhas redes sociais, no site www.pebinhadeacucar, de Parauapebas, e em jornais e sites de Imperatriz e Santa Luzia, no Maranhão. E vou encontrá-los, seu Deus quiser. Aí, vou poder deixar “Seu” Júlio mais feliz ainda.
Contato: (94) 99222-7140

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