25 de junho de 2021

Covid-19: Área da maior mina de ferro do mundo terá testagem em massa

Município que abriga parte da Serra dos Carajás —onde está a maior mina de minério de ferro do mundo a céu aberto—, Parauapebas terá testagem em massa para Covid-19, podendo alcançar cerca de metade da população, após ter disparado nas últimas semanas como a quarta cidade com mais casos de coronavírus no Pará.

Com cerca de 200 mil habitantes, o município que é o terceiro maior exportador do Brasil, tendo embarcado o equivalente a 7 bilhões de dólares de minério de ferro em 2019, havia confirmado até quinta-feira 1.900 casos de Covid-19, alarmando os mercados globais de mineração e a população local.

Os possíveis impactos da pandemia nas exportações do Brasil, segundo exportador global da commodity que enfrenta uma espiral de casos de coronavírus, têm sido precificados juntamente com outros fatores externos, com a matéria-prima siderúrgica sendo negociada perto dos maiores níveis do ano no mercado físico na China, a quase 100 dólares a tonelada.

O olhar atento para o interior do Pará ocorre enquanto os registros de coronavírus estão 15 vezes maiores na cidade na comparação com o final de abril, segundo dados da prefeitura de Parauapebas, lar de milhares de funcionários da operação da Serra Norte de Carajás, da Vale.

Juntamente com a Serra Leste —que fica no município vizinho de Curionópolis—, a área produziu 115 milhões de toneladas de minério de ferro em 2019, ou cerca de 38% da produção da Vale.

Neste contexto, e diante do crescimento do número de mortos por Covid-19 para 64 até quinta-feira em Parauapebas, o município fundado em 1988 informou à Reuters que programou, em parceria com a Vale, uma testagem que poderá atingir cerca de 100 mil pessoas, segundo expectativa preliminar. A operação será viabilizada em esquema de “drive-thru”, a partir de sábado, com agendamentos diários.

Para o prefeito de Parauapebas, Darci Lermen, essa e outras ações em parceria com a Vale, que incluem um Hospital de Campanha, permitirão que a cidade possa atravessar o que ele considera o momento “mais crítico” da doença.

“Com o protocolo de testagem em massa vamos realizar cerca de mil testes por dia. Tudo isso também ajuda a reduzir a necessidade de internações…”, disse o prefeito à Reuters, ressaltando também que o município já teve mais de 700 pacientes recuperados.

Parauapebas abriga ainda, em menor número, funcionários das atividades da Vale de Serra Leste e da mina S11D (que produziu sozinha 24% do minério de ferro da Vale em 2019), em Canaã dos Carajás.

“Temos hoje provavelmente um dos menores índices de letalidade da região, bem abaixo da média estadual, nacional e também do mundo”, defendeu o prefeito, destacando que esses são apenas “números frios”, e que “cada vida importa”.

Ele admitiu que o fato de Parauapebas estar localizada na importante região de mineração, definida como atividade essencial para funcionamento pelo governo, ajudou a impulsionar os casos da doença. Mas acredita que a testagem em massa permitirá uma redução dos doentes, pois as pessoas infectadas poderão ficar em casa —ainda que a cidade tenha saído de um “lockdown” estadual na última segunda-feira.

A Vale confirmou que participa da parceria para a testagem em massa da população do município.

Em nota, a mineradora ressaltou que está realizando a testagem de todos os seus empregados e terceiros, e retirando do ambiente de trabalho aqueles que testaram positivo, ainda que assintomáticos, bem como todos os que eventualmente possam ter tido contato com o empregado que testou positivo.

“Dessa forma, a empresa previne que não haja contágio em suas operações”, disse a companhia, lembrando que o ritmo das operações da Vale depende do número de empregados afastados para assegurar o ambiente.

Contudo, a mineradora destacou que a “produção não teve impacto material”.

FLUXO DE PESSOAS


As cidades próximas também têm apresentado crescimento do registro do vírus, à medida que a intensa movimentação de pessoas parece colaborar para a disseminação da doença nas redondezas de Parauapebas.

Em Canaã dos Carajás, havia 775 casos confirmados até quinta-feira e 12 mortes. Já em Curionópolis foram contabilizados 200 doentes e cinco mortes.

Por Marta Nogueira e Roberto Samora/ Reuters Brasil

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