24 de junho de 2021

Coronavírus tem mutação e se torna mais contagioso, diz estudo

Cientistas do Laboratório Nacional de Los Alamos na Califórnia, nos Estados Unidos, identificaram uma nova mutação do coronavírus. De acordo com o estudo preliminar veiculado recentemente na plataforma bioRxiv, que reúne estudos científicos antes da revisão por especialistas e da publicação formal em revistas científicas, essa versão é mais contagiosa que o vírus original, responsável pelo início da pandemia em Wuhan, na China. Em pouco tempo, tornou-se a versão dominante em diversos países, como Itália e Estados Unidos.

De acordo com a equipe, a mutação afeta as proteínas exteriores do vírus. Chamadas “spikes”, elas são responsáveis pela entrada do vírus nas células. “A história é preocupante, pois vemos uma forma mutada do vírus emergindo muito rapidamente e, durante o mês de março, se tornando a forma pandêmica dominante”, escreveu a bióloga computacional de Los Alamos Bette Korber, líder do estudo, em sua página no Facebook.

A nova cepa, que recebeu o nome de D614G, apareceu na Europa em fevereiro, migrou para a costa leste dos EUA e desde meados de março é a forma dominante do vírus nos Estados Unidos e na Europa. Entretanto, os pesquisadores ainda não sabem o que isso significa. Por exemplo, dados do Reino Unido mostraram que pessoas com essa mutação específica pareciam ter uma quantidade maior do vírus em suas amostras. Por outro lado, não há evidências de que essas pessoas apresentaram quadros mais graves ou um tempo de internação maior.

No momento, a maior preocupação, segundo a equipe, é o possível impacto dessa – e de outras mutações – no desenvolvimento de vacinas e tratamentos contra o novo coronavírus. Atualmente, mais de 100 vacinas em desenvolvimento e, na maioria das vezes, os cientistas partem do pressuposto que o coronavírus não sofreu nem sofrerá grandes mutações, a ponto de impactar a eficácia do imunizante.

Entretanto, é justamente isso que os pesquisadores do Laboratório Nacional de Los Alamos temem. Embora o estudo ainda precise ser revisado por especialistas que não estão envolvidos no estudo, os autores afirmam que a descoberta representa uma “necessidade urgente de um alerta precoce”. Segundo eles, se o coronavírus não desaparecer no verão no hemisfério norte – como a gripe sazonal -, ele poderá sofrer mutações ainda maiores, o que poderia limitar a eficácia das vacinas e tratamentos desenvolvidos atualmente.

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