17 de junho de 2021

Alunos temem serem prejudicados com manutenção do Enem

Apesar da paralisação de aulas provas serão realizadas em novembro; as inscrições começam na próxima semana e estudantes apontam desafios de se preparar em meio ao avanço da pandemia.

Na última semana de março, estudantes secundaristas de todo Brasil foram avisados pelo Twitter do Ministro da Educação, Abraham Weintraub, que as datas do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) seriam mantidas para o começo de novembro.



Ao lado de Alexandre Lopes, presidente do Inep, órgão responsável pelas provas, o ministro disse que apesar da pandemia não haveria alteração.”Sei que o coronavírus atrapalha um pouco, mas atrapalha todo mundo, como é uma competição, tá justo”, afirmou durante o pronunciamento.

Além disso, informou também que este ano os alunos também terão a possibilidade de fazer o enem digital.

A sensação que Maria Lúcia Ferreira Toledo, 18, descreveu sentir ao assistir o vídeo pela primeira vez foi desespero. “A gente sabe como funcionam as escolas estaduais e não havendo aulas presenciais sabemos que é ainda mais preocupante, porque a gente não faz ideia de como será o nosso futuro”, comenta.

A jovem mora no Itaim Paulista, na zona leste de São Paulo, e está no terceiro ano do ensino médio de uma escola pública na Aclimação. Ela sonha em ser pedagoga e estava contando com uma boa nota no Sisu (Sistema de Seleção Unificada) para conseguir estudar em uma universidade gratuita.

O posicionamento do Ministério da Educação não chocou apenas Maria, mas também entidades de educação, alunos e professores, porque não levou em consideração que alguns estudantes poderiam ser prejudicados pela paralisação das aulas devido a crise da Covid-19.

No estado de São Paulo, por exemplo, as aulas estão totalmente paralisadas desde 23 de março. Na capital, o período será contabilizado como férias escolares até 22 de abril.

Em 2019, 5,1 milhões se inscreveram para fazer o Enem, que é a principal porta de entrada para o ensino superior para estudantes de escolas públicas e particulares do Brasil.

Na China, primeiro país atingido pelo coronavírus em dezembro de 2019 e onde morreram mais de 3.000 pessoas, o maior vestibular do mundo, “gaokao” estava previsto para junho e foi recentemente adiado por um mês.

AULAS POR APP E MATERIAIS ENVIADOS PARA CASA

Logo após o pronunciamento do Ministério da Educação, entidades de educação como o Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação), a Ubes (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas) e a UNE (União Nacional dos Estudantes) se posicionaram contra a medida.

Em nota afirmaram que “é absurdo pensar que os estudantes estão em igualdade de condições nessa situação, e que atividades a distância poderiam solucionar o problema da suspensão das aulas”.

Lançaram um abaixo assinado online e uma hashtag nas redes sociais com o mote #ADIAENEM, que conta com mais de 30 mil assinaturas.

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