20 de junho de 2021

Brasil descobre remédio com 94% de eficácia no combate à Covid-19, diz ministro

Segundo o ministro Marcos Pontes, medicamento será testado em 500 pacientes e pode ser comprovado em algumas semanas. Cientistas brasileiros também trabalham em testes e vacina

Cientistas brasileiros vão testar, em 500 pacientes, um medicamento, quase sem efeitos colaterais, com eficácia de 94% em células infectadas pelo novo coronavírus, com resultado, no máximo, em um mês. A informação foi divulgada, nesta quarta-feira (15/4), pelo ministro de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes.



Segundo ele, país também desenvolve equipamento de inteligência artificial para testar pessoas com suspeita de Covid-19. A resposta é em um minuto e o teste utiliza reagentes nacionais. “Vacinas demoram mais do que o reposicionamento de drogas, mas estamos trabalhando com vacina dupla, tanto para Influenza quanto para a Covid”, disse. “Só a ciência pode combater o vírus”, ressaltou Pontes.

O ministro não divulgou o nome do remédio para “não haver corrida” às compras. Isso porque é um fármaco conhecido, amplamente disponível no mercado, de acordo Marcelo Morales, secretário de Políticas para Formação e Ações Estratégicas do Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). “Teremos nas nossas mãos, desenvolvido no Brasil, no máximo, na metade de maio, a solução de um tratamento, com remédio disponível inclusive em formulação pediátrica”, afirmou Pontes.

O remédio será testado em 500 pacientes em sete hospitais, cinco no Rio de Janeiro, um em São Paulo e outro em Brasília. A administração do medicamento será diária, durante cinco dias, com mais nove dias de observação. “Em 14 dias, poderemos ver se os efeitos em pacientes serão os mesmos já comprovados em células infectadas”, destacou o ministro. O ensaio clínico será feito com pacientes que estão internados para o acompanhamento dos sintomas e da carga viral.

Segundo o MCTIC, o protocolo será uma administração randomizada, ou seja, nem médicos nem pacientes saberão quem está tomando a medicação e quem está recebendo placebos. “Quero agradecer a comissão de ética do Ministério da Saúde, que fez a aprovação do protocolo dos testes clínicos. Nas próximas semanas, teremos os resultados”, disse Pontes.

Detalhes
Segundo o MCTIC, foram realizados testes utilizando medicamentos que já são comercializados em farmácias para verificar se existe algum capaz de combater a doença. A estratégia chamada de reposicionamento de fármacos é adotada por uma força tarefa formada por 40 cientistas do Laboratório Nacional de Biociências (LNBio), que integra o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), organização social do ministério.

Foram testados dois mil medicamentos com o objetivo de identificar fármacos compostos por moléculas capazes de inibir proteínas fundamentais para a replicação viral. Com uso de alta tecnologia como biologia molecular e estrutural, computação científica, quimioinformática e inteligência artificial, os pesquisadores identificaram seis moléculas promissoras que seguiram para teste in vitro com células infectadas com o SARS-CoV-2.

Desses seis remédios pesquisados, os cientistas do CNPEM/MCTIC descobriram que dois reduziram significativamente a replicação viral em células. O remédio mais promissor apresentou 94% de eficácia em ensaios com as células infectadas.

Na terça-feira (14/4), o ensaio clínico financiado pelo MCTIC obteve a autorização da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) para realizar a última etapa dos testes: os ensaios clínicos em pacientes infectados com o novo coronavírus (SARS-CoV-2), que devem começar já nas próximas semanas.

“Hoje temos três focos: a busca de remédio para tratamento da Covid-19 e por vacinas e ampliação da capacidade de produzir testes e diagnósticos”, afirmou o ministro Marcos Pontes.
“Precisamos de testes e diagnósticos, em grande quantidade. Mas temos dificuldade de adquirir reagentes para que os exames possam ser feitos no Brasil. Isso é um problema sério”, disse. Segundo o ministro, o CT Vacinas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) trabalha para desenvolver um reagente nacional que tem a mesma performance dos internacionais.

“Um equipamento com inteligência artificial consegue detectar a presença da virose na amostra de saliva, iluminada por laser. Mesmo equipamento pode detectar outros problemas, como influenza, hanseníase”, destacou. O equipamento será conectado na rede, o que vai permitir que milhares de órgãos de saúde possam fazer exames. “O aparelho faz a análise e retorna com o resultado um minuto”, disse.

“Ciência é teste”

O ministro ressaltou, ainda, que o sequenciamento do coronavírus é fundamental para conhecer a mutação que está no Brasil. “O vírus vai mutando, então, nós temos um vírus nacional, por isso precisamos conhecer seu sequenciamento para fazer uma vacina que funcione para a versão mutante do Brasil”, explicou. De acordo com Pontes, o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), em Petrópolis (RJ), tem o supercomputador mais poderoso da América Latina para identificar as vacinas mais apropriadas. “Vacinas demoram mais do que o reposicionamento de drogas, mas a equipe está trabalhando com vacina dupla para Influenza e Covid-19”, detalhou.

“Quero somar essas coisas: em um futuro próximo, vamos realizar testes diagnósticos com mais amplitude, resultados mais precisos e acompanhamento e tratamento das pessoas com sintomas”, afirmou o ministro. As soluções, acredita Pontes, poderão desafogar o sistema hospitalar enquanto as vacinas ainda estão em estudo. “O paciente com os primeiros sintomas vai numa unidade, faz o exame e, se testar positivo, o médico pode prescrever o medicamento. Ele volta para casa, passa um período em isolamento e consegue se livrar do vírus nesse período”, acrescentou.

A promessa do MCTIC é que, em maio, tanto o remédio com 94% de eficácia quanto os testes rápidos estejam funcionando. “Lembro que ciência é teste. Mas há grande grande probabilidade de que tudo funcione bem. Se isso ocorrer, os testes clínicos e o remédio, teremos ferramentas efetivas para resolver os problemas. Ciência e tecnologia são o caminho para vencer a pandemia”, assinalou. O ministro ressaltou, ainda, que a ciência feita no Brasil é respeitada internacionalmente.

Articulação
Os dados gerados pelo Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), fundamentais para subsidiar os testes clínicos, foram compartilhados com a RedeVírus MCTIC, responsável por articular a continuidade do estudo com pessoas infectadas pelo coronavírus. A rede também compartilhará este conhecimento com outros países que compõem a cooperação internacional, incluindo a Unesco que lidera uma frente global com ministros de Ciência, Tecnologia e Inovações e com os países do BRICS (grupo dos países Rússia, Índia, China, África do Sul, além do Brasil).

Segundo a pasta, o CNPEM tem infraestrutura e equipamentos de última geração, competitivos internacionalmente, para apoiar os avanços da pesquisa nacional, sendo referência para estudos de materiais. Lá está instalado o Sirius, o novo acelerador de elétrons brasileiro. O equipamento foi projetado para ser uma das mais avançadas fontes de luz síncrotron do mundo e com recursos para lançar a outro patamar as pesquisas que utilizam estruturas moleculares, como é o caso da área de descoberta de fármacos. Fonte: Correio Braziliense.

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