DATA:14 de dezembro de 2019

Falta apenas 3 anos para a mina de manganês dá adeus em Parauapebas

Trem que corta a Estrada de Ferro Carajás (EFC), levando o minério de Parauapebas, vai descansar a partir de 2027, se o cronograma da mineradora Vale for cumprido à risca. Só que não: o trem vai passar a atender, exclusivamente, o Canaã dos Carajás e seu S11D.

A Mina do Azul, de onde é extraído o manganês em Serra Norte, será a primeira a aposentar-se, daqui a 3 anos, e a deixar inúmeros desempregados.

ESGOTAMENTO DAS MINAS

Em 2022, manganês do Azul vai esgotar e deixar muitos desempregados Parte do que a pesquisa “Análise da Importância da Compensação Financeira pela Exploração Mineral para o Município de Parauapebas” revelou sobre a “Capital do Minério” em março do ano 2013, quando foi defendida como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) na área de Economia Mineral, pelo curso de Engenharia de Minas e Meio Ambiente, começou a aparecer nos relatórios da mineradora Vale.

No dia 24 de maio de 2013, dois meses após a defesa do TCC, a mineradora entregou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) o seu Formulário de Referência 2012 no qual discrimina, em 529 páginas, seus projetos no Brasil e no exterior. No documento constam investimentos já feitos, cotação de ações, viabilidade de empreendimentos, lucro e vida-útil estimada de cada uma de suas minas.

A Vale, que chegou a 2013 com patrimônio líquido de R$ 155,63 bilhões, prevê que, com o esgotamento de suas minas em Parauapebas, haverá um rastro de desemprego jamais visto na história do município. A saber, isso já pode estar ocorrendo, ainda que discretamente. E o motivo é simples: as minas de Serra Norte já chegaram a empregar 11 mil pessoas; hoje estima-se que são 7 mil.

Tudo pode parecer muito distante, sobretudo para um 2034 cheios de incertezas. Ainda assim, com a expansão das minas e, automaticamente, da capacidade produtiva, a vida-útil do minério reduz e, nas contas da empresa, em 2027 não haverá mais um fiasco que seja economicamente viável explorar. Para ela, isso é estrategicamente excelente porque assim poderá centrar as atenções apenas no projeto S11D, da Serra Sul, em Canaã dos Carajás, haja vista ser ele altamente rentável, de custo-benefício excepcional e que empregará muito menos mão de obra que as minas de Parauapebas. Não se considera, aqui, uma eventual desilusão dos chineses, principais abocanhadores do minério de Parauapebas, o que poderia fazer a Vale rever todos os seus planos de investimentos. E, automaticamente, piorar a situação.

COMEÇO DO FIM

Tudo começará em 2022, quando a Mina do Azul, na Serra Norte, de onde é extraído o manganês, for a primeira a aposentar-se e a demitir. Um estudo encomendado pelo Ministério das Minas e Energia (MME) revelou em 2006 que o depósito de manganês tinha 45,6 milhões de toneladas do produto e que, ao ritmo de produção pretendido pela Vale, só teria mais dez anos de vida-útil.

Segundo a Vale, entretanto, a reserva do Azul tem 33,9 milhões de toneladas (Mt) de manganês, provadas e outras 8,1 Mt prováveis, com teor de 40,3%. A produção oscilou entre 1,6 Mt (2010), 2,1 Mt (2011) e 1,9 Mt (2012). Mantendo-se o ritmo de extração de 2012, a Vale projeta para 2022 o fechamento da Mina do Azul, cujas atividades foram iniciadas em 1985. Isso se ela não aumentar o passo da produção, o que pode acelerar esse fechamento.

Depois do manganês, o minério de ferro será o próximo na lista e com fim mais triste que o de Policarpo Quaresma, que ao menos se imortalizou na literatura. Atualmente, a Vale mantém três minas para extração de ferro em funcionamento: N4E, N4W e N5. Essas minas estão em Serra Norte, entre nove corpos de minério de ferro (de N1 a N9). A produção dos demais Enes deve ser incorporada à expansão, anunciada pelo empresa desde o semestre passado como Adicional 40 Mtpa (ou 40 milhões de toneladas por ano).

A primeira das minas a dar adeus a Parauapebas será, segundo a Vale, N4E em 2028. A reserva dessa mina tem 258,2 Mt de minério de ferro, provadas e outras 86,9 Mt prováveis. O teor médio de hematita contida chega a 66,4%, uma surra nos 44,8% de hematita do minério do Estado de Minas Gerais, maior produtor atual.

Apesar de a produção de minério de N4E ter apresentado declínio nos últimos três anos, com 22,2 Mt (2010), 20,1 Mt (2011) e 18,7 Mt (2012) extraídos, está tudo sendo acertado para que nos próximos 15 anos ela se torne apenas uma cratera esquecida no meio do verde da Floresta Nacional de Carajás (Flonaca).

Não obstante, entre todas as minas exploradas pela Vale em Parauapebas, é a de N4W que tem a maior reserva de ferro, com 1.128,4 Mt provadas e outras 277,1 prováveis, além de excelente teor de 66,5% de hematita pura. O minério de ferro das cavas desse circuito pendura as chuteiras em 2032, de acordo com a mineradora. Mas poderá ir embora antes porque o ritmo de extração da mina é ascendente: 33,4 Mt (2010), 38,9 Mt (2011) e 39,3 Mt (2012).

Ainda assim, está em N5 o minério que terá vida mais longa, até 2034, e o de mais alto teor no Brasil e no mundo, com 67,2% de hematita puríssima – nem os 66,7% do bloco D do corpo S11, em Canaã dos Carajás, são páreo para ele. São 265,6 Mt de reservas provadas mais 715 Mt de prováveis reservas que têm alimentado um processo extrativo oscilante, mas gigantesco, que rendeu 45,6 Mt (2010), 50,8 Mt (2011) e 48,8 Mt (2012).

Ressalte-se que a taxa de recuperação das três minas chega a 91,4% do minério extraído, uma maravilha se comparada à maioria das outras jazidas exploradas pela Vale no Brasil, nas quais são recuperados, em média, 80% do produto.

No rol de programação da empresa, exaurir as minas de Parauapebas se tornará algo vantajoso, para que ela possa centrar esforços tão somente em S11D, em cujo “Carajás”, da Serra Sul, o minério tem vida mais longa. Se começar a operar, de fato, no segundo semestre de 2016 ou em 2017, o bloco D do corpo S11 poderá ser lavrado até 2055. Ou seja, S11D terá 39 anos de vida, caso sua produção anual seja de 90 milhões de toneladas. A Vale terá, ainda, à disposição em Canaã os blocos de minério C, B e A. Mas ela nem faz planos para eles, no momento, já que sua intenção é curtir ao máximo, literalmente, o magnífico teor de hematita, de 66,7%, do bloco D.

Já no “Carajás” de Serra Leste, em Curionópolis, que sequer tem previsão de começar a operar, a Adicional 40 Mtpa, vai encurtar a vida-útil de todo o minério de ferro em Serra Norte. Exploração não deve passar, contudo, de 2065. Por: André Santos/Revisão: San Diego

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