DATA:15 de outubro de 2019

O ESTADO SEGUE EM BUSCA POR VÍTIMAS E ANUNCIA MEDIDAS APÓS A TRAGÉDIA NA PONTE RIO MOJU

O governador Helder Barbalho e o vice-governador, Lúcio Vale, anunciaram, durante coletiva neste sábado (6), que o Estado não irá cessar as buscas pelas possíveis vítimas do acidente na ponte Rio Moju, a terceira da Alça Viária, até que elas sejam localizadas. Como medidas emergenciais para minimizar os impactos sofridos pela população, o chefe do Executivo estadual informou que serão construídas rampas, nos dois lados da ponte, para possibilitar o fluxo de balsas no local onde a a estrutura da ponte foi destruída após a colisão de uma balsa, na madrugada deste sábado (6). Serão recuperados ainda os portos do Arapari, em Barcarena, e o Porto Bannach, localizado na Avenida Bernardo Sayão, no bairro do Guamá, em Belém.

A informação de que dois carros teriam caído no rio após a queda da ponte, ocorrida entre 1h e 2h, foi repassada por uma testemunha à equipe de governo, que foi até o local nesta manhã. A Polícia Civil já abriu inquérito para apurar os fatos e o Centro de Perícias Científicas Renato Chaves também foi acionado para coletar informações para elaboração do laudo sobre o incidente. O Corpo de Bombeiros do Pará está com equipes na área desde às 3h e iniciou as buscas com três grupos de mergulhadores às 7h da manhã.

De acordo como o governador Helder Barbalho, empresas que têm contrato assinado com o Governo do Estado farão a construção das rampas devido ao caráter de urgência da medida. “Pela gravidade do incidente, a gestão estadual decretou situação de emergência. Isso nos dará condição para termos agilidade e fazermos frente às demandas que estão surgindo. Estimamos que o custo de todo o trabalho a ser realizado gire em torno de R$ 100 milhões. Se não houver nenhum obstáculo mais complicado, é possível que possamos concluir tudo em um ano”, pontuou o governador.

Entre as primeiras ações a serem tomadas está ainda a remoção dos escombros da embarcação e da ponte, além do aumento da quantidade de balsas no Porto do Arapari, que eram três e agora já são oito embarcações. “Anteriormente, saía uma balsa por hora. Agora a ordem é funcionar 24h. Encheu, saiu. Também tínhamos operação em apenas um porto, passamos para dois portos e em 10 dias teremos um terceiro. Tudo isso no complexo de Arapari”, ressaltou o governador. O segundo porto em questão é o da Henvil, localizado na Bernardo Sayão.

Trabalham, em conjunto com os bombeiros, agentes da Capitania dos Portos, que enviou duas equipes para o local, uma para atuar por terra e outra pela água. Segundo o capitão tenente Nelson Ferraz, chefe de comunicação social do 4ª Distrito Naval, foi disponibilizada uma lancha hidrográfica com equipamento sidescan – um sonar de varredura lateral, para fazer a verificação de destroços da ponte e da existência de veículos no leito do rio. “A intenção é tanto localizá-los, quanto evitar algum perigo à navegação”, ressaltou. As buscas na área vão continuar até escurecer e caso não sejam concluídas, serão retomadas ao amanhecer deste domingo (7).

O comandante geral do Corpo de Bombeiros, Hayman de Souza, participou da coletiva e informou que o fato da maré estar alta foi um dos fatores para que a balsa alcançasse os pilares. “Com a maré baixa, isso dificilmente aconteceria”, destacou. “A ponte não estava comprometida. O fato é que houve um sinistro de uma dimensão grave”, ponderou o governador Helder Barbalho.

Também participaram da coletiva o secretário de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup), Ualame Machado; o comandante geral da Polícia Militar, Dilson Júnior; o procurador geral do Estado, Ricardo Sefer; o diretor geral da Agência de Regulação e Controle de Serviços Públicos (Arcon), Eurípedes Reis; o secretário em exercício de Estado de Transportes, Renato Aguiar; e diretor geral do Departamento de Trânsito (Detran), Antônio Gouveia.

Investigação

Há a informação de que na embarcação que colidiu com a ponte haviam cinco tripulantes. Segundo o governador Helder Barbalho, a testemunha do incidente afirmou ainda que essas pessoas teriam tentado frear a balsa, porém sem êxito e a segunda tentativa teria causado a paralisação do motor, deixando o transporte (que carregava resíduos de dendê) à deriva.

Ualame Machado afirma que o inquérito policial aberto deve apurar tanto os fatos quanto a possibilidade de riscos de danos ambientais. “A Polícia Civil já está em contato com o advogado que se apresentou como representante dessas cinco pessoas que estariam ocupando a balsa e também identificamos a possível dona da embarcação e da carga. A partir daí, a linha de investigação será traçada para que possamos responsabilizar os envolvidos”, explicou.

Outras medidas anunciadas após o acidente deste sábado na ponte são: asfaltar 55 km da Estrada Quilombola, vicinal da cidade de Moju, que será uma alternativa de fluxo para veículos de passeio e ônibus; acelerar as obras na PA-252, que liga o município em questão ao Acará, já iniciadas; instalar defensas em todas as pontes do Complexo da Alça Viária, que são proteções que ficam nas bases dos pilares; executar obras de melhoria na Avenida Bernardo Sayão, onde ficam os portos que saem para o Arapari; implementar sinalização em Marituba, para evitar que as pessoas peguem a balsa – essa ação também será realizada no Arapari, na PA-252, na rodovia Perna Sul e na rotarória da Alça Viária; estender o efeito do Decreto que isenta de ICMS as empresas que fazem a travessia de balsa Belém-Arapari-Belém por tempo indeterminado; ajuizar ação contra os responsáveis pelo acidente, sejam proprietários, tripulantes e donos de mercadoria; interditar a navegabilidade do trecho – ação já executada pela Capitania dos Portos; e reforçar o policiamento na PA-483 (Alça Viária), para desviar o fluxo de veículos que seguiriam pela rodovia e encaminhar esses condutores para fazer a travessia Belém-Arapari-Belém, que também contará com agentes da Polícia Militar.

A TRAGÉDIA

Quatro pontes formam a Alça Viária, na ordem de saída do município de Moju: a ponte Cidade do Moju, a ponte Rio Moju – que teve parte destruída, a ponte Rio Acará e a ponte rio Guamá. A terceira ponte, que possui 868 metros de extensão e 23 de altura, teve três pilares danificados após um balsa que transportava dendê colidir com pilares, o que fez desabar 200 metros de pista. A balsa atingiu o oitavo pilar, provocando a queda de quatro vãos da estrutura de concreto.

Por: Natália Mello

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