DATA:15 de novembro de 2019

SURF NA POROROCA É INCENTIVADO PELO GOVERNO DO ESTADO

Às margens da floresta, ribeirinhos de São Domingos do Capim se aglomeram nos trapiches para contemplar a chegada da Pororoca. E muitos não conseguem resistir, saem nas rabetas, lanchas e barcos para ver de perto a grande onda que chega fazendo espuma nas águas barrentas da Amazônia.

“Aqui tem a particularidade de ser uma pororoca que se aproxima da cidade e é muito acessível às pessoas, faz parte do cotidiano delas. E, diferente de outras pororocas, é formada pelo encontro de dois rios de água doce, o Guamá e Capim, o que acaba quebrando esse paradigma do fenômeno ser o encontro do mar com o rio”, revela o presidente da Associação Brasileira de Surf na Pororoca, Noélio Sobrinho.

O esporte sob as pranchas chegou na região há mais de 20 anos com as primeiras expedições de surfistas brasileiros renomados, como Ricardo Tatuí. Foi nessa época, que o nativo Walmecir se encantou com o surf. “O Ricardo deu pranchas pra gente e foi ensinando. Mas eu cheguei a treinar com tampa de geladeira e pedaço de isopor”, lembra.

Hoje, Walmecir é mototaxista na cidade e o surfista mais famoso da região. Ele venceu duas vezes o Campeonato Municipal de Surf e representa o Pará no Campeonato Nacional de Surf em Pororoca. “O surf é apaixonante, sou apaixonado pela pororoca, a melhor adrenalina é a do rio”, garante.

TURISMO E CULTURA – Os campeonatos de surf, que chegam a reunir cerca de 80 surfistas da região e de outros estados brasileiros, fazem parte do Festival da Pororoca, programação que chega a sua 19ª edição e é realizada pela Prefeitura de São Domingos do Capim, em parceria com Governo do Estado. O evento, que incentiva o esporte e o lazer, começou nesta sexta-feira (22) e vai até o dia 24.

“Além dos campeonatos, tem torneios de futebol, de vôlei e montamos um palco na orla da cidade para os shows musicais. O governo pretende incentivar ainda mais as ações de cultura e lazer no interior do Estado”, diz o diretor de Eventos da Secretaria Estadual de Esporte e Lazer (Seel), Júlio Vieira.

A expectativa é que circulem 15 mil pessoas na cidade durante o evento. A população fica bastante animada, porque o campeonato movimenta também o comércio local.

“O festival é algo que a gente espera o ano inteiro. E, esse ano, a pororoca veio mais forte e grande, assim, mais pessoas vêm de fora confraternizar com a gente. E o movimento no restaurante começa a aumentar”, disse cozinheira Maria de Jesus, que trabalha em um restaurante da orla da cidade.

Desde a quarta-feira (20), turistas brasileiros e até japoneses circulam pelo município. Uma equipe de produção da NGK, a maior emissora de TV do Japão, veio à São Domingos do Capim conhecer a Pororoca e estudar a possibilidade de transmitir ao vivo o fenômeno, no ano que vem, para o outro lado do mundo. “A TV japonesa já exibiu, ao vivo, um fenômeno da natureza na Antártida, agora queremos uma da Amazônia. Estamos pesquisando estrutura e logística para ver se é possível fazer aqui. A equipe está bem animada, é muito bonito”, disse o produtor de televisão, Leonardo Yamaguchi.

Para o surfista Alan Londres, de apenas 19 anos, que sonha em ser um “Medina da Pororoca”, como ele mesmo diz, não é difícil entender porque o fenômeno natural encanta tantas pessoas. “Quando a gente está lá em cima da onda, é uma sensação inexplicável, parece que estamos no céu. O rio parece que está dentro de nós. Essa pororoca de hoje foi bem grande, quase três metros, foi demais”.


Por:Jackie Carrera

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