18 de junho de 2021

FUSÃO DE SECRETARIAS PROVOCA PROTESTOS DE ÓRGÃOS LIGADOS AO TURISMO NO PARÁ

O recente anúncio feito pelo governador eleito Helder Barbalho (MDB) de fundir a Secretaria de Estado de Turismo (Setur) à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme) caiu como uma bomba para os representantes de órgãos que compõem o trade turístico no Pará. Eles, alguns com representação nacional, admitiram surpresa, desconfiança e houve até quem se disse decepcionado com decisão de promover a incorporação, apontada como “um desastre”.

A reação, no entanto, será imediata: representantes institucionais preparam uma espécie de carta conjunta exigindo não apenas explicações ou justificativas plausíveis, mas até a desistência de a Sedeme absorver a Setur. O documento, com embasamento técnico, será entregue o mais breve possível, ainda sem previsão de data, após a posse de Helder Barbalho, que ocorrerá na manhã de 1 janeiro.



A vice-presidente no Pará da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav-PA), Rose Larrat, disse que, se a fusão se concretizar, causará “um prejuízo enorme” ao turismo do Estado. Na sua opinião, a Setur não perde apenas uma identidade conquistada como pasta específica do setor, mas também corre riscos de ficar sem recursos federais diretos para o desenvolvimento de projetos.

Segundo ela, Helder Barbalho, na campanha eleitoral, chegou a se reunir com membros do trade de turismo do Estado, quando apresentou cerca de vinte projetos para fomentar e dinamizar a área – mas em nenhum momento revelou a medida que iria tomar com a Setur. “Com a carta que estamos preparando, queremos que ele desista dessa ideia, que para nós é uma decepção”, classificou.

GRANDE EQUÍVOCO

De acordo com a avaliação do presidente do Sindicato de Guias de Turismo do Pará (Singtur-PA), Fábio Romero, o novo governador “está rebaixando a Setur a uma diretoria, contrariando o que havia afirmado, que iria valorizar o turismo do Estado como importante eixo de potencial econômico”, e que tal decisão “é um desastre”.

“Com isso, ele [Helder Barbalho] diminuiu o status da secretaria e comete um grande equívoco levando o turismo para dentro da Sedeme, quando poderia associar à Secult [Secretaria de Estado de Cultura]”, sugeriu, considerando a correlação de temas. “Ele vai misturar áreas como indústria, comércio, e o turismo funcionará apenas como uma diretoria.” O presidente do Singtur criticou também a escolha do deputado Iran Lima (MDB) para administrar o turismo no âmbito global da Sedeme. “Com todo respeito ao parlamentar, mas não tem a mínima condição técnica”, considerou.

Fábio Romero enfatizou que a Setur é “um braço do Ministério do Turismo no Pará”, onde foram definidos seis polos de desenvolvimento que vêm sendo trabalhados e que podem ser prejudicados. São eles: Belém, Marajó, Amazônia Atlântica, nele incluídos municípios da região nordeste do Estado, Xingu, Tapajós e Araguaia-Tocantins. Da mesma forma, entende ele, projetos tocados por meio do Cadastur (Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos) do Mtur serão afetados.

Nilton Guedes, vice-presidente nacional da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo (Abrajet), disse que a entidade, como signatária do documento, quer saber com cautela quais são as vantagens do planejamento do novo governo para o setor, o qual não deve ser “um apêndice” na Sedeme.

O fato é que a preocupação vem crescendo em meio ao trade de turismo, que em geral consiste na junção de estabelecimentos de hospedagem, bares e restaurantes, centros de convenções e feiras de negócios, além de agências de viagens e turismo, empresas de transporte, lojas de suvenires e demais atividades comerciais paralelas ligadas direta ou indiretamente à atividade do turismo.

Nesse aspecto, o Sindicato das Empresas de Turismo do Pará (Sindetur), Associação Brasileira de Turismólogos e Profissionais do Turismo (ABBTUR) e a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Pará estão entre os assinantes da carta.

RESULTADOS

O atual secretário adjunto de Turismo, Joy Colares, que também é coordenador de Turismo da Federação do Comércio (Fecomércio), ponderou que desconhece os motivos e as intenções do próximo governador quanto à Setur, embora Helder Barbalho tenha explicado que a ideia da fusão seria para “enxugar” a máquina do Estado.

Colares, no entanto, informou que trata-se de uma pasta não onerosa, com orçamento anual em torno de R$ 6 milhões, dispondo de 140 servidores, vários deles remanescentes da antiga agência oficial de turismo estatal, a Paratur. “Não fizemos concurso”, salientou.

O secretário adjunto também opinou que “o ideal” era a Setur ser mantida, preservando a marca, características e funcionalidade porque desenvolve projetos que vêm fortalecendo o turismo no Estado, como “Ver-o-Pará”, que surgiu em 2012 e que seria encerrado em 2020, mas que seria estendido até 2030, dentro de um projeto macro da atual gestão estadual. O secretário adjunto explicou que o turismo receptivo já cresceu 30% com relação à chegada de estrangeiros, e que turismo doméstico segue em expansão, notadamente no aspecto de negócios.

Roma News

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