22 de junho de 2021

Policia Federal faz busca e apreensão em Curionópolis

Na manhã de quinta-feira (05/04) os moradores de Curionópolis, Sudeste do Pará, foram surpreendidos com a presença de homens da Polícia Federal no município.

A ação foi para cumprir o mandato de busca e apreensão em empresas que atuam na região na exploração de minério. De acordo com a polícia a extração vem sendo realizada de forma irregular.



Garimpos que atuam na extração foram fechados, além de apreender caçambas, tratores e alguns equipamentos. Até o momento ninguém foi preso.

Os mineradores que viram os seus maquinários serem apreendidos e os britadores da região serem fechados.

Segundo os revoltados mineradores, a denúncia foi feita pela própria Vale. De acordo com eles, a gigante multinacional é detentora dos direitos de exploração do manganês na região, mas não possui nenhum interesse no mineral. A cooperativa, por sua vez, possui uma grande rede de associados dependentes do minério e uma cadeia econômica local bastante movimentada por conta da geração de emprego e renda em torno das atividades dos associados.

Perceber que as atividades de seu sustento estavam suspensas, foi uma notícia indigesta para o grupo de pequenos mineradores. Por meio de redes sociais, os trabalhadores desabafaram: “A nossa revolta é porque nós temos esse manganês no município, a Vale documentou ele em 1983, ficou até 2016 sem mexer e os produtores rurais começaram a trabalhar e vender o minério para poder sobreviver. Nós estamos em cima da jazida do manganês e passando fome! A Vale nem compra a terra, nem coloca benefício nenhum para os produtores rurais! A briga é por isso!”

De acordo com a cooperativa, já há um movimento de associados pela legalização das atividades: “Nós queremos que a Vale nos passe esse documento que autoriza a exploração do manganês lá, pois a empresa não quer trabalhar nisso. Queremos nos legalizar, mas precisamos desse apoio.”

“Já temos a cooperativa toda regularizada, documentada e pronta para trabalhar. Só o que precisamos mesmo é de documentos e queremos isso” afirmou um outro associado. “Querendo ou não, nossas atividades geram muitos empregos e, consequentemente, renda para o município. Muitas pessoas dependem disso. Compramos tudo no comércio local e o dinheiro fica aqui no município. É o posto de gasolina, a borracharia, a loja de auto peças… Nós damos prioridade para cá. Os comerciantes, principalmente de Curionópolis, estão revoltados com a situação, pois a atividade faz o dinheiro circular aqui dentro do município. A Vale, no entanto, ‘sentou’ em cima do documento e não trabalha, nem deixa ninguém trabalhar” desabafaram.

As operações, ao que parece, não passarão sem que haja reivindicações. O grupo de mineradores deve organizar nos próximos dias um grande protesto contra a Vale: “Somos todos trabalhadores, queremos o nosso sustento e não vamos deixar que nos parem assim. Queremos ser ouvidos” explicaram. De acordo com a Coomab, a luta é para o bem comum e não para a individualidade; já nos próximos dias a cooperativa deve reunir associados para debater maneiras de se lutar pela legalização.

 

 

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