24 de novembro de 2020

Vale quer reduzir em R$ 30 bi valor que pagará por reparação de danos em Brumadinho

A Vale é a empresa mais valiosa listada na B3 (a antiga bolsa de valores de SP) com atual valor de mercado de R$ 354 bilhões – montante 19,5% superior ao pré-desastre, quando a empresa valia R$ 296 bilhões. Desde o rompimento da barragem, a Vale remunerou seus acionistas duas vezes. A primeira em agosto, quando pagou R$ 7 bilhões pelo resultado de 2018 e a segunda em setembro, quando distribuiu R$ 12 bilhões a seus acionistas como remuneração pelo lucro nos primeiros trimestres de 2020. Representantes dos atingidos reclamam também da falta de participação popular nas discussões e da inclusão da Vale no Comitê Gestor Institucional, que vai cuidar da reparação.


A proposta apresentada pela empresa nesta semana prevê a participação da Vale no comitê, sem direito a voto, mas os atingidos receiam que a empresa se imponha pelo poder econômico. Nesta semana, no entanto, a empresa propôs pagamento total de cerca de R$ 21 bilhões, sendo um “teto global” de pagamentos de R$ 16,45 bilhões – que incluiria a realização de obras em Belo Horizonte, distante 60 km de Brumadinho –, R$ 3 bilhões previstos para a recuperação ambiental, além dos R$ 2,2 bilhões já gastos em indenizações para os cerca de 8 mil atingidos. Além de propor um corte pela metade no valor demandado, a proposta feita pela mineradora não prevê o pagamento dos chamados “programas emergenciais”, que garantiriam renda aos moradores de Brumadinho e de outras 10 cidades da bacia do rio Paraopeba que tiveram seus trabalhos e renda comprometidos pela lama.

Enquanto Vale, governo estadual, promotores, procuradores e defensores públicos negociavam o acordo protegido por termo judicial de confidencialidade, moradores protestavam em frente porta do Tribunal de Justiça, em Belo Horizonte.

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