24 de setembro de 2020

A pandemia da corrupção no governo de Helder Barbalho


Por: Ronaldo Brasiliense/Primeira parte

A gestão da pandemia do novo coronavirus no Pará, pelo governador Helder Barbalho (MDB), transformou-se numa sucessão de escândalos.


Aproveitando-se da decretação do Estado de Calamidade Pública no Pará e a consequente abertura para fazer compras com dispensa de licitação, Helder Barbalho aloprou.


Nunca antes na história do Pará se viu tantos escândalos em tão pouco tempo, todos devidamente registrados no Diário Oficial do Estado. Vamos a eles:

1) Cestas básicas superfaturadas

A pandemia da corrupção começou em março, com a aquisição de 535 mil cestas básicas por R$ 73,9 milhões de uma empresa, a Kaizen, com capital social de apenas R$ 79 mil, cuja sede, soube-se depois, seria num terreno baldio no município de Ananindeua, na região metropolitana.
Pagando R$ 136,00 por uma cesta básica para distribuir entre os estudantes da rede estadual – quase três vezes mais do que cestas básicas oferecidas pelas redes de supermercado de Belém – Helder Barbalho foi denunciado nas redes sociais e recuou, anulando a compra, mas não evitou que a Polícia Federal nesta quarta-feira, 18 de junho, invadisse a sede da Secretaria de Educação do Pará para apreender computadores e documentos referentes à negociata.

2) Respiradores mecânicos imprestáveis

Cumprindo mandado de busca e apreensão expedido pelo ministro Francisco Falcão, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a Polícia Federal apreendeu computadores, documentos e o telefone celular de Helder Barbalho, na sua luxuosa mansão do condomínio Lago Azul, em Ananindeua, e também o aparelho de sua mulher, Daniela Barbalho.
No celular de Helder estariam as provas da conversa que deu origem à negociata para a compra de 400 respiradores mecânicos na China, pela empresa SKN, por R$ 50,4 milhões – R$ 126 mil por unidade, quase três vezes mais do que outros Respiradores mecânicos similares comprados pelo próprio Ministério da Saúde.


Pelo telefone, Helder Barbalho conversa com um dos sócios da SKN – amigo de muitos anos – acerta o negócio e o encaminha para o chefe da Casa Cívil do governo do Pará, Parsifal Pontes, que teria sido o responsável pela elaboração da minuta do contrato.


O secretário de Estado de Saúde, Alberto Beltrame, inexplicavelmente teria sido colocado à margem da negociação, até prova em contrário. Helder Barbalho postou, posteriormente à negociata, em suas redes sociais, que seu celular teria sido clonado.


A SKN recebeu um adiantamento de R$ 25,2 milhões – 50 por cento de um total de R$ 50,4 milhões – mas entregou apenas 152 Respiradores mecânicos, todos imprestáveis para o combate à pandemia da Covid 19.


A SKN, que também recebeu R$ 4,2 milhões referentes à compra de oxímetros, se comprometeu a devolver o dinheiro, em acordo judicial, mas não o fez em sua totalidade. A negociata está sendo investigada em inquérito aberto pela Polícia Federal, com autorização do ministro Francisco Falcão, do STJ.


Na operação Para Bellum, a Polícia Federal invadiu a mansão do governador Helder Barbalho e o Palácio do Governo – algo inédito na história do Pará – e apreendeu R$ 748 mil na residência do secretário adjunto de Saúde, Peter Cassol, além de ter cumprido mandado de busca e apreensão nas casas do secretário de Saúde, Alberto Beltrame; na casa chefe da Casa Cívil, Parsifal Pontes, e na do secretário de Estado da Fazenda, entre outros.


PS – Amanhã abordaremos um novo escândalo revelado publicamente pelo Diário Oficial do Pará: o aluguel de oito ambulâncias por R$ 7,8 milhões – R$ 245 mil mensais pelo aluguel de cada ambulância, quando no mesmo período a Prefeitura de Belém alugou ambulância pagando apenas R$ 6.200,00.

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